acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Março, 2012

Banco do tempo

Acabei de colocar na lista de ligações (“prática”) uma referência a um projeto com cerca de 10 anos em Portugal.

Uma ideia muito interessante, com resultados práticos conhecidos, facilitadora da partilha de recursos locais e da aproximação dos indivíduos de uma determinada comunidade.

Ver mais aqui.

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Sistemas vivos

Pena é que o ser humano precise de “catalogar” noções que parecem básicas.

E, neste caso, re-catalogar, que é ainda mais estranho…

Não obstante, achei muito interessante este pequeno excerto de vídeo, já que traz às nossas mentes formatadas uma visão global de como a natureza funciona: tudo se interliga e nós, com a ideia obsessiva de dissecar o que nos rodeia, vamos perdendo estas noções.

Para aceder ao filme completo (1h51m, legendado em português do brasil), ver aqui.

Fica o excerto que me agradou (cerca de 5 min):

Entrevista de Serge Latouche

É uma oportunidade. Saber se conseguiremos aproveitá-la é outra questão.”

Esta foi a resposta à pergunta da jornalista do Público:

A saída da crise pode ser uma oportunidade para pôr em marcha o decrescimento?

Ver a entrevista completa aqui.

O que é a transição?

Novo vídeo publicado na secção a eles dedicada: ver aqui.

Tal como diz o autor do blogue de onde obtive esta ligação (Sustentabilidade é acção):

“”In Transition 1.0 – Da dependência do petróleo à resiliência local” é o primeiro filme detalhado sobre o movimento de transição filmado pelos que o conhecem melhor, os que estão a fazer acontecer no terreno.”

Em inglês, com legendas em castelhano.

A terra dos sonhos…

O medo, aliado ao alheamento (coletivo) é uma poderosa arma de manipulação de massas.

Há que despertar consciências…

Como? É óbvio que não há milagres. Este fenómeno generalizou-se, com a conivência dos media e a acomodação das mentes ao facilitismo de não pensar: é muito fácil deixar-se conduzir, e a inércia para o combate é muito grande, uma vez instalado o conforto (mesmo que conscientemente artificial).

Mas iniciativas como a que a APORDOC (site e facebook) começou este mês, em parceria com o Espaço Nimas, em Lisboa, lançam pequenas mas consistentes achas para a fogueira da tão necessária revolução de mentalidades: a apresentação de documentários sobre a Islândia, em que ontem foi a vez de “Dreamland” (ver aqui o site do documentário e um artigo de blog, em inglês, com direito a trailer aqui).

 

Na semana passada, como já tinha aqui referido a propósito do artigo sobre a conferência de Serge Latouche, foi exibido o primeiro documentário desta série de 4 sobre este país que, segundo o folheto de divulgação do evento, “devia ser o ponto de fuga” na observação da Europa. Intitula-se “Future of Hope” e sobre a sua exibição no Nimas pode ser lido um excelente artigo de um “blogger” português aqui (têm lá uma ligação para o trailer).

O primeiro documentário tinha um cariz mais virado para os problemas sociais e económicos, focalizando-se nas ações que desabrocharam fruto da resiliência de indivíduos e da comunidade em si. Já o segundo, transmite uma intensa mensagem de alerta comum às mensagens com um cariz fortemente ecológico.

Tal como dizia ontem a impulsionadora do projeto, Maria João Taborda, podemos identificar-nos com a informação disponibilizada ou, pelo contrário, insurgir-nos contra ela ou contra o modo como ela nos é apresentada. Mas o essencial é abrir fendas na muralha da indiferença apática e generalizada que se gerou com a preguiça mental induzida na sociedade do crescimento que, sufocantemente, reina nos dias de hoje…

Faltam dois documentários para finalizar este ciclo dedicado à Islândia. Pena é que não vou poder lá estar… Mas certamente encontrarei bons pontos de âncora para vos deixar um tributo no final.

Ubuntu

Um antropólogo estudava os usos e costumes de uma tribo na África, e porque ele estava sempre rodeado pelas crianças da tribo, decidiu fazer algo divertido entre elas; Conseguiu uma boa porção de doces na cidade e colocou todos os doces dentro de um cesto decorado com fita e outros adereços, e depois deixou o cesto debaixo de uma árvore.

Depois chamou as crianças e combinou a brincadeira: quando ele dissesse “já”, elas deveriam correr até aquela árvore e o primeiro que agarrasse o cesto, seria o vencedor e teria o direito de comer todos os doces sozinho.

As crianças posicionaram-se em linha, esperando pelo sinal combinado.

Quando ele disse “já!”, imediatamente todas as crianças deram as suas mãos, uns aos outros, e todos de uma vez, saíram correndo juntos em direção do cesto. Todas elas chegaram juntas e começaram a dividir os doces, e sentadas no chão, comeram os doces felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e indignado perguntou porque é que elas tinham ido todas juntas, quando só uma poderia ter tido o cesto inteiro.

Foi ai que elas responderam: – “UBUNTU!!!” “Como um só de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?“

UBUNTU significa: – “EU SOU, PORQUE NÓS SOMOS!”

(Artigo publicado no Facebook por “Crianças em Permacultura“, com a referência “Extraido de Vitor Barata”)

“Decrescimento: uma proposta polémica?”

Ontem foi dia de “dois em um”:

  • uma sessão com a discussão da teoria, com a apresentação do projeto do decrescimento por parte de Serge Latouche “himself”, na Gulbenkian;
  • uma sessão com a apresentação do caso prático de um país que se encontra atualmente a repensar o seu futuro: a Islândia.

Quanto à segunda, é tema suficiente para um artigo à parte deste, em que darei conta da digestão do que vi e ouvi no documentário “The Future of Hope” apresentado num ciclo que agora começa no Nimas.

Quanto à primeira… que mais dizer sobre Serge Latouche que não se encontre já espelhado nas diversas citações que se podem encontrar neste blog sobre a sua obra? Só mesmo estando lá…

Excelente comunicador, explanando as ideias de um modo muito assertivo, trouxe a Portugal, a meu ver, mais um contributo para a lenta mas necessária revolução na sociedade em prol de uma esperança no futuro.

Utópico? Assim pode parecer a alguns (senão à maioria…).

Mas eu acredito que o grau de concretização desta utopia depende da escala a que se pensa. E se, hoje, essa escala é pequena, revelando-se ao nível individual ou de um pequeno conjunto de indivíduos, com a divulgação das ideias do decrescimento (ou melhor, do acrescimento) de um modo construtivamente sereno e pacientemente persistente, a escala irá certamente alargar-se.

Para chegar onde? Considero-me uma privilegiada se conseguir vislumbrar uma resposta durante o meu tempo de vida.

E termino com um mote baseado numa frase que Latouche citou (infelizmente não me lembro de quem): há que temperar o pessimismo resultante do conhecimento da realidade atual com o otimismo da boa vontade e da força de vontade.