acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Abril, 2012

Barreiras e princípios para a construção da mudança

4 Princípios para criar a mudança e 4 barreiras que a dificultam

ESCRITO POR: Alexa Clay e Jon Camfield

(Artigo com tradução livre minha. Ver o original aqui)

Encontrar maneiras de criar disrupção na sociedade para a melhorar pode ser difícil, mas evitando estas armadilhas e seguindo estes passos, os construtores da mudança podem criar um impacto real.

Muitas pessoas estão a esforçar-se atualmente para implementar uma mudança; para produzir um impacto social ou ambiental, sejam eles empreendedores sociais ou pessoas que trabalham no seio de organizações para fazer a diferença. Neste artigo, queríamos concentrar-nos em pensar sobre como as comunidades de construtores de mudança podem prosperar. Para fazer a mudança acontecer, não bastam apenas as competências exclusivas de um punhado de benfeitores ou ONGs. Ao destacar algumas das barreiras e princípios fundamentais que são vitais para o sucesso de um mundo em que todos são construtores de mudança, esperamos começar a generalizar a arte de fazer a mudança e destruir o monopólio que o empreendedor social tem sobre a mudança social.

BARREIRAS

Barreira 1: A idolatria aos especialistas

Muitas vezes a construção da mudança é encaminhada para especialistas ou empreendedores sociais ao invés de ser colocada nas mãos de membros da comunidade. Embora possamos depender dos especialistas para uma orientação, muitas vezes confiamos excessivamente neles, acreditando que “eles” vão resolver os problemas. Mas é raro que especialistas passem além do diagnóstico de um problema e criem verdadeiros caminhos para a mudança. Do mesmo modo, os empreendedores sociais também são tidos como indivíduos extraordinários e sobre-humanos, com talentos que estão muito além dos nossos. Esta crença nos empreendedores sociais como heróis e nos especialistas como solucionadores de problemas fornece uma ideia errada sobre como ocorre a mudança na sociedade. A mudança não acontece por causa de alguns “escolhidos”; mais frequentemente vem de cidadãos comuns que trabalham para fazer a diferença.

Barreira 2: As condições para resolução de problemas são negligenciadas

Frequentemente somos levados a resolver problemas de um modo tático, sem refletir sobre se as condições para a efetiva colocação em prática dessa resolução estão criadas. Atacar a base da resolução de um problema pode garantir um diagnóstico e uma identificação de recursos necessários para uma maior eficácia. Assim, por exemplo, garantir que as comunidades estão alinhadas em termos de um conjunto comum de valores, ou que uma adequada diversidade demográfica, de culturas e pensamentos são trazidos para a conversa desde o início, é fundamental para garantir que as soluções que se desenvolvem são adequadamente incorporadas no sistema de valores e processos dessa mesma comunidade.

Barreira 3: Os problemas não estão formatados para a mudança

Uma das maiores dificuldades em operar a mudança é sentirmo-nos dominados pelo problema que é necessário resolver. Os problemas podem parecer grandes demais para assumirmos a sua resolução. Como resultado, podemo-nos sentir paralisados, com pouca possibilidade de realmente fazer a diferença. Este modo de pensar faz com que a mudança pareça um fardo pesado ao invés de algo que pode ser divertido ou emocionante. Em contraste, os construtores da mudança bem sucedidos são capazes de desagregar os problemas em partes mais fáceis de resolver. Uma vez identificando algo sobre um assunto que é móvel ou mutável, podemos realmente começar a fazer progressos.

Barreira 4: A aprendizagem é “one-to-one”

Como podemos aprender a ser construtores de mudança? Grande parte da arte de fazer a mudança envolve capacidades que nós absorvemos de quem consideramos um modelo ou de quem demonstra comportamentos de construir a mudança. Isto significa que as oportunidades de aprendizagem são limitadas por interações individualistas (“one-to-one”) e por contacto com outros construtores de mudança. Comparando com áreas de atuação tradicionais, como o empreendedorismo, onde existem abundantes recursos para a aprendizagem, a prática de construção da mudança ainda está longe de ser generalizada.

PRINCÍPIOS

Princípio 1: Ligar as histórias pessoais com o “quadro geral”

O primeiro passo para a mudança está em conseguirmos alterar a visão de um problema como algo pessoal (algo que só me afeta a mim) para algo que é partilhado por uma comunidade, ou como parte de um quadro mais vasto que afeta todo um sistema. Assim que um construtor de mudança consegue ver a sua experiência individual como sintoma de uma injustiça ou de um desafio sistémico, torna-se mais capaz de desenvolver uma visão global de mudança social.

Princípio 2: Reconhecer ativos ocultos

A construção da mudança começa dentro de casa. Muitas vezes procuramos recursos ou talentos externos quando os há em grande abundância dentro de uma comunidade local. Afastarmo-nos do “pensamento deficitário” em direção ao reconhecimento de que as comunidades têm os recursos para se transformarem a elas próprias é um princípio importante para a construção da mudança.

Princípio 3: Planear para a divergência e para a convergência

A mudança requer um afastamento da realidade do dia-a-dia e ser capaz de fazer experiências e pensar de um modo diferente. Muitos construtores de mudança salientam a importância de fomentar a “mente de principiante”, ou um estado de recetividade e abertura. A mudança, para ser sustentável, também exige a criação de espaço para a colaboração diversificada entre os indivíduos e as comunidades, que muitas vezes não convergem para um objetivo comum. Desta forma, é importante derrubar barreiras, tanto mentalmente como fisicamente, para permitir um conhecimento interior e uma colaboração que se consideravam improváveis.

Princípio 4: Criar redes autorreguladoras

Muitas vezes os líderes ou as instituições promovem a dependência numa comunidade. Mas a mudança não é bem sucedida sem se reduzir a dependência que as comunidades têm de líderes consagrados. Redes não hierarquizadas e estruturas de base constituídas por indivíduos e seus pares são necessários se uma comunidade pretende sustentar a mudança para além de um indivíduo. A necessidade de autorregulação é vital para a sustentabilidade de comunidades e redes de mudança

Um blogue sueco

Tomei conhecimento deste blogue através de uma notícia sobre a transição na Suécia: “A Very Beatiful Place“.

“É uma boa iniciativa, que espero que se alastre mais além” foram as palavras (com tradução livre feita por mim) que me chamaram a atenção, proferidas pela ministra do ambiente da Suécia, referindo-se às iniciativas de transição (ver artigo resumido aqui).

Mas o artigo publicado cronologicamente antes deste (ver aqui) tem uma coisa que gosto bastante: um gráfico… (defeitos de formação?)

Este, em particular, dá-nos uma visão integrada das tendências de evolução relacionadas com os recursos e a utilização que temos feito deles – mais uma achega para nos consciencializarmos que isto assim não pode continuar…

Convergência e agregação

Nestes tempos de (excesso) de informação, com a tendência para a profusão de meios e modos de divulgação, causando uma dispersão  que se torna prejudicial para quem pretende, objetivamente, chegar a algum lado, as iniciativas de convergência e agregação são importantes.

Deixo aqui mais uma ligação que poderá ser útil a quem procura informação no âmbito da transição e da permacultura:

http://www.redeconvergir.net/

O pico do petróleo e as relações de poder

Foi colocado on-line esta semana um artigo muito interessante no Energy Bulletin * (fonte: Transition Network), que divulga a elaboração de um relatório no âmbito de uma tese para a obtenção de um grau académico de Pascal Eggen, um militar suíço, numa instituição do Exército Norte Americano (USACGSC).

Este relatório, datado de dezembro de 2011, faz algumas reflexões acerca do impacto do pico da produção de petróleo no balanço global do poder, sendo o seu título “Impact of the Peaking of World Oil Production on the Global Balance of Power”.

Deixo-vos uma tradução livre de minha autoria de algumas passagens do referido artigo:

Os pontos-chave de análise o tenente-coronel Eggen estão resumidos no segundo parágrafo do seu Resumo: “Esta pesquisa constatou que o pico da produção mundial de petróleo vai aumentar a consciência dos [limites] dos recursos por parte das grandes potências. Enquanto a produção de petróleo vai diminuir, as nações vão tentar preservar o seu alto nível de organização. A política mundial mudará do idealismo, típico da nossa atual economia crescente, para o realismo e para o realismo ofensivo. As regras económicas vão alterar-se para as de um jogo de resultado negativo. Como consequência, os jogadores com geopolíticas mais fracas terão de se alinhar com as grandes potências, para garantir perdas mínimas no fornecimento de petróleo. Finalmente, as grandes potências vão esperar até o último momento para iniciar as medidas de mitigação contra o esgotamento do petróleo. Na verdade, uma transição precoce para novas fontes de energia constitui um risco para alterar a sua posição geopolítica atual. ”

Citando ainda o artigo, refere-se que o relatório em causa, numa linguagem clara, faz uma reflexão importante sobre as implicações de uma oferta limitada de combustível líquido e as prováveis reações dos humanos a esta realidade e, acima de tudo, que o autor é um realista e aborda o tema do Pico do Petróleo com respeitosa prudência.

Parece algo complexo, mas a questão está bem explicada no texto original do artigo publicado no Energy Bulletin, que pode ser consultado aqui.

E, para quem tem curiosidade de ler um pouco mais, a tese (91 pág) pode ser consultada aqui.

* Três editores, provenientes do Reino Unido e dos Estados Unidos, contribuem para o “Energy Bulletin”, criado em 2004 por dois australianos com o objetivo de divulgar informação acerca do pico de fornecimento de energia, a nível global. Para saber mais, ver aqui.

O fim de um ciclo

Não estive presente, como aliás tinha comentado num artigo anterior, mas não queria deixar passar em branco o fecho do ciclo dedicado à Islândia no Espaço Nimas, em parceria com a Apordoc.

Para tal, faço minhas as palavras de um amigo que lá esteve:

3ª sessão – “Gnarr“.

4ª sessão – “Maybe I should have“.

Vou continuar atenta a estas iniciativas, excelentes sementes para manter vivo o espírito do debate de ideias.