acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Barreiras e princípios para a construção da mudança

4 Princípios para criar a mudança e 4 barreiras que a dificultam

ESCRITO POR: Alexa Clay e Jon Camfield

(Artigo com tradução livre minha. Ver o original aqui)

Encontrar maneiras de criar disrupção na sociedade para a melhorar pode ser difícil, mas evitando estas armadilhas e seguindo estes passos, os construtores da mudança podem criar um impacto real.

Muitas pessoas estão a esforçar-se atualmente para implementar uma mudança; para produzir um impacto social ou ambiental, sejam eles empreendedores sociais ou pessoas que trabalham no seio de organizações para fazer a diferença. Neste artigo, queríamos concentrar-nos em pensar sobre como as comunidades de construtores de mudança podem prosperar. Para fazer a mudança acontecer, não bastam apenas as competências exclusivas de um punhado de benfeitores ou ONGs. Ao destacar algumas das barreiras e princípios fundamentais que são vitais para o sucesso de um mundo em que todos são construtores de mudança, esperamos começar a generalizar a arte de fazer a mudança e destruir o monopólio que o empreendedor social tem sobre a mudança social.

BARREIRAS

Barreira 1: A idolatria aos especialistas

Muitas vezes a construção da mudança é encaminhada para especialistas ou empreendedores sociais ao invés de ser colocada nas mãos de membros da comunidade. Embora possamos depender dos especialistas para uma orientação, muitas vezes confiamos excessivamente neles, acreditando que “eles” vão resolver os problemas. Mas é raro que especialistas passem além do diagnóstico de um problema e criem verdadeiros caminhos para a mudança. Do mesmo modo, os empreendedores sociais também são tidos como indivíduos extraordinários e sobre-humanos, com talentos que estão muito além dos nossos. Esta crença nos empreendedores sociais como heróis e nos especialistas como solucionadores de problemas fornece uma ideia errada sobre como ocorre a mudança na sociedade. A mudança não acontece por causa de alguns “escolhidos”; mais frequentemente vem de cidadãos comuns que trabalham para fazer a diferença.

Barreira 2: As condições para resolução de problemas são negligenciadas

Frequentemente somos levados a resolver problemas de um modo tático, sem refletir sobre se as condições para a efetiva colocação em prática dessa resolução estão criadas. Atacar a base da resolução de um problema pode garantir um diagnóstico e uma identificação de recursos necessários para uma maior eficácia. Assim, por exemplo, garantir que as comunidades estão alinhadas em termos de um conjunto comum de valores, ou que uma adequada diversidade demográfica, de culturas e pensamentos são trazidos para a conversa desde o início, é fundamental para garantir que as soluções que se desenvolvem são adequadamente incorporadas no sistema de valores e processos dessa mesma comunidade.

Barreira 3: Os problemas não estão formatados para a mudança

Uma das maiores dificuldades em operar a mudança é sentirmo-nos dominados pelo problema que é necessário resolver. Os problemas podem parecer grandes demais para assumirmos a sua resolução. Como resultado, podemo-nos sentir paralisados, com pouca possibilidade de realmente fazer a diferença. Este modo de pensar faz com que a mudança pareça um fardo pesado ao invés de algo que pode ser divertido ou emocionante. Em contraste, os construtores da mudança bem sucedidos são capazes de desagregar os problemas em partes mais fáceis de resolver. Uma vez identificando algo sobre um assunto que é móvel ou mutável, podemos realmente começar a fazer progressos.

Barreira 4: A aprendizagem é “one-to-one”

Como podemos aprender a ser construtores de mudança? Grande parte da arte de fazer a mudança envolve capacidades que nós absorvemos de quem consideramos um modelo ou de quem demonstra comportamentos de construir a mudança. Isto significa que as oportunidades de aprendizagem são limitadas por interações individualistas (“one-to-one”) e por contacto com outros construtores de mudança. Comparando com áreas de atuação tradicionais, como o empreendedorismo, onde existem abundantes recursos para a aprendizagem, a prática de construção da mudança ainda está longe de ser generalizada.

PRINCÍPIOS

Princípio 1: Ligar as histórias pessoais com o “quadro geral”

O primeiro passo para a mudança está em conseguirmos alterar a visão de um problema como algo pessoal (algo que só me afeta a mim) para algo que é partilhado por uma comunidade, ou como parte de um quadro mais vasto que afeta todo um sistema. Assim que um construtor de mudança consegue ver a sua experiência individual como sintoma de uma injustiça ou de um desafio sistémico, torna-se mais capaz de desenvolver uma visão global de mudança social.

Princípio 2: Reconhecer ativos ocultos

A construção da mudança começa dentro de casa. Muitas vezes procuramos recursos ou talentos externos quando os há em grande abundância dentro de uma comunidade local. Afastarmo-nos do “pensamento deficitário” em direção ao reconhecimento de que as comunidades têm os recursos para se transformarem a elas próprias é um princípio importante para a construção da mudança.

Princípio 3: Planear para a divergência e para a convergência

A mudança requer um afastamento da realidade do dia-a-dia e ser capaz de fazer experiências e pensar de um modo diferente. Muitos construtores de mudança salientam a importância de fomentar a “mente de principiante”, ou um estado de recetividade e abertura. A mudança, para ser sustentável, também exige a criação de espaço para a colaboração diversificada entre os indivíduos e as comunidades, que muitas vezes não convergem para um objetivo comum. Desta forma, é importante derrubar barreiras, tanto mentalmente como fisicamente, para permitir um conhecimento interior e uma colaboração que se consideravam improváveis.

Princípio 4: Criar redes autorreguladoras

Muitas vezes os líderes ou as instituições promovem a dependência numa comunidade. Mas a mudança não é bem sucedida sem se reduzir a dependência que as comunidades têm de líderes consagrados. Redes não hierarquizadas e estruturas de base constituídas por indivíduos e seus pares são necessários se uma comunidade pretende sustentar a mudança para além de um indivíduo. A necessidade de autorregulação é vital para a sustentabilidade de comunidades e redes de mudança

Anúncios

No comments yet»

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: