acrescimento

ou a sabedoria do caracol

… 1978!

Li um artigo muito interessante nesta revista intitulada “Raíz e Utopia”, com um subtítulo “Crítica e alternativas para uma civilização diferente”, de 1978.

A. Jacinto Gomes aborda a problemática do “desenvolvimento” versus “crescimento”.

Reza assim:

“Para podermos avançar a ideia do eco-desenvolvimento é preciso desfazer a ilusão de uma certa ideia de progresso. E o mais difícil consiste no facto de que as pessoas, aceitando metafisicamente a noção de “progresso”, quando se apresentam críticas ao processo de crescimento quantitativo, têm sempre uma atitude de desconfiança.

(…)

A evolução temporal da história não contém um finalismo fatalmente progressivo. E, por outro lado, o processo da evolução não é linear. Contém retrocessos por vezes (…) Este facto parece simples de ver. Porém, a resistência a esta concepção dialéctica é muito grande. E nós vemos constantemente gente que confunde a ideia de processo cronológico da História com progresso da Humanidade, gente que confunde crescimento com desenvolvimento.”

***

Refere entretanto outras três posições que o eco-desenvolvimento não considera serem o espelho da sua auto-definição: o “ruralismo hipócrita”, com a forte (e quase exclusiva) tónica na “crítica à poluição, à destruição do meio ambiente e da paisagem”, os neo-malthusianos com as suas ideias de ecocídeo e da solução do “crescimento zero”, defendendo as tão conhecidas políticas de restrição na natalidade, e os grupos que sugerem “elementos alternativos tecnológicos e energéticos, sem contudo prever aspectos de ruptura nas relações sociais de produção” – como é o caso de estruturas eólicas ou centrais solares gigantescas.

***

Mais à frente resume alguns pontos-chave nos quais se baseia a estratégia do eco-desenvolvimento (citando):

  1. Desenvolver pela descentralização
  2. Uso de energias não poluentes e inesgotáveis
  3. Uso de materiais recicláveis e locais
  4. Especialização mínima e desenvolvimento da polivalência; cooperação entre trabalho manual e trabalho intelectual; unidades de produção de tamanho pequeno e utilização de tecnologia artesanal
  5. Vida comunitária e cooperação entre população urbana e rural
  6. Produção em função das necessidades principais e não dum consumo supérfluo

E tudo isto já em 1978… em Portugal.

Anúncios

No comments yet»

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: