acrescimento

ou a sabedoria do caracol

A relocalização e a economia local

Li recentemente um artigo bastante acutilante, sobre uma ferramenta da política económica para o desenvolvimento no Reino Unido,  da autoria do Department for Business, Innovation and Skills – BIS (Departamento para o Negócio, Inovação e Competências ou algo semelhante), pertencente ao Governo Britânico, denominada LEP – Local Enterprise Partnerships

Este artigo denuncia as incongruências encontradas ao longo da análise feita pelo autor, quer a nível documental, quer a nível do funcionamento que a organização diz ter (para ler o artigo completo, ver aqui).

Mas há, no seio do artigo, uma síntese acerca do rumo a dar a uma melhoria da economia local e de algumas regras que considero pragmáticas na aplicação dos conceitos relacionados com a (re)localização:

***

“Esta é uma terceira história para ser colocada ao lado dos temas “austeridade” e “crescimento” nos debates que estão a fervilhar a nível nacional e internacional sobre para onde vamos. Trata-se de tomar consciência da resiliência das comunidades como parte do desenvolvimento económico.

É a história que diz muito do que precisamos já existe entre nós, e que há que olhar para as oportunidades de um modo diferente.

Não se trata apenas de considerar o desenvolvimento económico como uma teia de economias locais e interligadas que encontram o tamanho adequado em que conseguem maximizar o bem-estar e ficam bem nesse nível, em vez de continuadamente crescer por crescer. É sobre as enormes oportunidades para a inovação que os recursos locais em alimentação, energia, economia e materiais de construção nos apresentam.

Qualquer abordagem económica adequada para os próximos 5-10 anos precisa ter as seguintes qualidades:

Resiliência: foco na construção de resiliência da comunidade, aumentando a sua capacidade de satisfazer as suas próprias necessidades e capacidade de lidar com variações bruscas a nível climático

Independência do petróleo: quebrar a ligação estreita que existe entre a capacidade que as economias locais têm para ser bem sucedidas e sua dependência de combustíveis fósseis baratos

Baixas emissões de carbono: redução substancial da intensidade da emissão de carbono no modo como as econimias locais funcionam

Competências e formação: maximização das oportunidades para os jovens adquirirem competências adequadas e criarem as suas próprias empresas, de tal forma que se gere o menor grau de endividamento possível

Investimento interno: sempre que possível, ligar os “vasos comunicantes”das economias locais deve ser uma prioridade, nomeadamente os modelos que permitem que as comunidades investam e beneficiem localmente dos seus principais desenvolvimentos

Democracia: o destino das economias locais deve estar nas mãos das comunidades que as geram. Se querem supermercados ou outros “monstros” corporativos na sua economia local, ok, mas se não o quiserem devem ter a capacidade de se defender a si próprios.

A distância importa: o que Jason McLennan chama de “pesado-perto, leve-longe” relativamente à economia, e que explica assim: “no futuro próximo tudo o que é pesado torna-se intensamente local, enquanto ao mesmo tempo os limites para as coisas que são leves (ideias, filosofias, informação) vão ser levadas ainda mais longe do que hoje em dia, literal e figurativamente “. Isto é, de facto, a globalização económica em inversão de marcha.”

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