acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Junho, 2013

A importância do Emprego

JobCulture

Já tinha abordado este tema aqui, a propósito da economia formal e informal.

Mas este artigo chamou-me a atenção por ser muito específico relativamente ao “emprego” (trabalho remunerado): tal como refere o artigo anterior, o emprego faz parte da economia dita formal, que é apenas 1/4 da economia mundial, mas damos-lhe atualmente tanta importância que a maioria de quem lê esta fração não acredita que assim seja.

Adiante: desta feita trata-se de uma apreciação do emprego e da importância que lhe damos.

Tradução livre, uma vez mais, de um artigo retirado do facebook, desta página: “Rethinking the job culture

Para ler o artigo completo, clicar aqui.

* * *

«A Cultura do Emprego não compreende apenas empregos, trabalho e instituições empresariais. É um abrangente modo de vida em que milhões de pessoas fazem do trabalho remunerado por uma entidade o centro do seu mundo.»

«A pergunta “O que é que fazes?” é imediatamente entendida como: “Que tipo de trabalho remunerado tens?”»

«Na Cultura do Emprego, a vida familiar, a recreação, os interesses pessoais e os desejos devem ser todos subordinados ao Emprego e estruturados em torno deste.»

«Mesmo coisas como o que comemos (fast food), o que fazemos no nosso tempo livre (ver televisão, fazer compras) e como poupamos as nossas economias (investindo em ações e títulos) são ditadas por uma cultura de manutenção do emprego e das instituições empresariais.

«As nossas conversas, as nossas férias, o modo como vestimos, a escolha de onde moramos e qual a viatura que temos, opções de cuidados de saúde, e mil e uma outras coisas são todas ditadas por uma força central: o Santo Emprego.»

«Porque é que o desemprego é uma coisa má? Porque é que não pode ser encarado como uma oportunidade gloriosa para lazer, contemplação e criatividade? Porque é que o trabalho remunerado tem um estatuto mais elevado do que o trabalho não remunerado, mesmo quando o trabalho não remunerado pode ser mais agradável ou benéfico?»

* * *

Mas não posso deixar de referir que nem tanto ao mar nem tanto à terra… O trabalho remunerado faz, efetivamente, parte da economia global. Não podemos fugir dele. Há que aprender a conviver com ele, mas sem o colocar num pedestal (seja santificado ou transformado em demónio).

O que retiro deste reflexão é que andamos todos de trela colocada à conta do trabalho remunerado e faz-me pena ver pessoas (que não são poucas) a dizer que detestam trabalhar quando o que detestam é o emprego que são “obrigadas” a ter. Mas espera lá… obrigados por quem? Aí está. Como ouvi há muito pouco tempo, “é preciso deixar de mentir para poder defender uma mudança”. Mais: é preciso deixar de mentir a nós próprios se queremos efetivamente mudar.

Porque é preciso mudar.

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Boas notícias

FotoPublico

Agricultura biológica: ora aí está uma área onde não me faz tanta impressão usar a expressão “crescimento”…

Ou, melhor dizendo, como andar para a frente voltando atrás.

O artigo do Público * revela: “Entre 1994 e 2011, o número de pessoas que estão a produzir de forma biológica cresceu de 234 para quase 6000. (…) em termos globais a área já representa 5,5% da superfície agrícola utilizada, “situando-se um pouco acima da média europeia”. As estimativas do sector (…) apontam para um volume de negócios que rondará os 20 a 22 milhões de euros, com taxas de crescimento de 20% ao ano.”

Comprei recentemente alguma bibliografia prática relacionada com o tema (a ver se pratico mais ação e menos palavra…), mas gostava de deixar uma citação mais na onda teórica que me parece muito adequada:

[A ideia de agricultura biológica] (…) aponta uma ligação essencial entre solo, planta, animal e homem, conceito que alguns descrevem como holístico, mas que pode ser discutido de maneira mais prática. Simplificando, é o reconhecimento de que na agricultura, tal como na natureza, qualquer coisa afecta tudo o resto” **.

Ainda do mesmo livro, gostava de sublinhar uma das frases anunciadas oficialmente pela FAO na Conferência inernacional sobre agricultura biológica e segurança alimentar, em 2007:

“A agricultura biológica pode alimentar todo o planeta e sem impacte negativo no ambiente.

Ora aí está!

Mas também refere que nem tudo são rosas: “(…) deve ser no longo prazo o caminho a seguir, desde que melhorias técnicas e económicas sejam feitas.”

E eu acrescento: e alteração de mentalidades… Num outro artigo do Público, a frase que salta à vista é “Quando foi a última vez que, na zona dos frescos de um supermercado, pegámos numa peça de fruta sem avaliar se essa era a mais bem-parecida do caixote?”.

Pois…

 

* foto inicial retirada deste artigo.

** em “As bases da agricultura biológica – Tomo I – Produção Vegetal” (Coordenação de Jorge Ferreira)

As-Bases-da-Agricultura-Biologica

«You mean you have to use your brain?»

Brain“A dependência das tecnologias é cada vez maior e ninguém parece minimamente preocupado com o estado de cativeiro em que paulatinamente nos vamos colocando.”, escreve Alexandre Guerreiro na Revista Papel.

As novas tecnologias e o modo como elas se vão apoderando do ser humano é um tema deveras assustador.

Há quem pense que faz parte da evolução, mas até que ponto isso não é apenas um argumento de quem se encontra fascinado por algo que não revela o seu verdadeiro efeito no espaço de uma ou duas gerações?

Eu cá acho (e chamem-me retrógrada ou prima do “Velho do Restelo”, que não me importo) que não se deve brincar com o que nos foi dado pela Natureza na nossa evolução natural como seres humanos: onde está o limite entre proporcionar uma melhoria de qualidade de vida a quem não a tem por questões relacionadas com a saúde e proporcionar ferramentas (seja para o “trabalho” seja para o laser) que diminuem a capacidade de ser humano?

“No fundo, a estratégia para normalizar a desumanização é sempre a mesma: primeiro dá-se-lhe um ar cool e pacífico; depois torna-se viral quando meia dúzia de celebridades usam estes instrumentos. Como uma parte significativa dos consumidores são bovinos e seguem modas e tendências incondicionalmente, apenas se preocuparão se alguém repara quão modernos eles são.”

O artigo aflora a cada vez maior tendência para transformar o ser humano “numa espécie de cyborg”. E remata:

“E, afinal, que melhor maneira de alguém difundir mensagens, sobretudo políticas, sem qualquer tipo de oposição e sem necessidade de fundamentação, senão através do controlo cerebral de alguém e ao simples alcance de um format c:\ e de um c:\brain\ideais_e_valores\install_programa_eleitoral.exe ?”

Isto é algo transversal a 3 R: Reavaliar, Reconceptualizar e, claro está, Reduzir.