acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Julho, 2013

Unitarefa, por favor

Cerebro_multitask(imagem daqui)

Li faz tempo um artigo (aqui) que, embora simplista, considerei bastante assertivo no chamar a atenção para algumas tecnologias que nos estão a “embrutecer”.

Senão vejamos: GPS , calculadora, Smartphones, corretor automático, multitasking (ou multitarefa).

Intimamente ligado com um outro que escrevi aqui, reforço agora a ideia que estamos a ficar desumanizados a um ritmo deveras assustador. Como costumo dizer, o cérebro também é um músculo e, como tal, precisa de exercício.

Mas não se trata só de um problema de tecnologia “pura e dura”. É certo que foi esta que nos trouxe o conceito de “multitarefa”, mas qual de nós não faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, como ler e ouvir música, cozinhar enquanto se vê televisão, acabar um trabalho que se tem em mãos enquanto se ajuda um filho com o TPC…

A sensação de que podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo e, com isso, aumentar a nossa produtividade e eficiência, é uma ilusão.

De facto, quando pensamos que estamos a fazer várias tarefas ao mesmo tempo, na realidade o que o nosso cérebro faz é mudar a atenção de tarefa em tarefa muito rapidamente (1).

Um dos artigos que li afirma que o fazer várias tarefas “ao mesmo tempo” pode reduzir até cerca de 40% a produtividade de um indivíduo (2).

Outro refere um estudo em que se infere que quem tem este hábito pode usar o cérebro com menos eficácia mesmo quando se dedica a uma única tarefa (3) e outro ainda apresenta 12 razões para não o fazer (4).

Portanto, como costumo dizer a mim própria, “Focus, moça, focus. Uma coisa de cada vez”. O nosso cérebro agradece.

E não esquecer que a tecnologia é um auxiliar e não um substituto: ela está para o cérebro como um bom par de ténis para o exercício físico dos músculos das pernas, não como umas muletas ou umas escadas rolantes…

cerebro_exercicio(imagem daqui)

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Será?

global economic crisis *

Nomes como Robert J Gordon (Prof., Northeastern University, EUA), Stephen D. King (Economista, Grupo HSBC, EUA), Jeremy Grantham (investidor “lendário”, Grantham Mayo van Otterloo, Reino Unido), confesso, não me dizem nada.

Mas constam de um artigo de Nafeez Ahmed (Dr., Institute for Policy Research & Development, Reino Unido) na edição online do jornal The Guardian intitulado “Economistas prevêem o fim do crescimento” e com o (chocante?) subtítulo “O crescimento ilimitado do PIB acaba à medida que entramos numa nova era de escassez de recursos – precisamos de transição para uma nova economia.”

Neste artigo pode-se ler, entre muitos números, estatísticas, previsões e citações, o seguinte:

“A atual instabilidade no sistema económico e financeiro mundial tem raízes numa crise ambiental e de recursos mais profunda”.

“A nossa economia global, imprudente na utilização de todos os recursos e sistemas naturais, mostra muitos dos indicadores de falha potencial que derrubaram tantas civilizações antes de nós.”

Será que estamos perante uma das pequenas pontas de um tímido reconhecimento “oficial” do “princípio do fim”? Afinal de contas, trata-se do “The Guardian”…

Ou será mais um foguinho de palha rapidamente abafado até que não dê mais para se esconder a aridez a que nos leva o conceito de “crescimento sustentável”?

* Fotografia: Andy Rain/EPA, retirada do artigo consultado.