acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Salvem o comércio local

LocalMarkets

(Feira da Malveira, Mafra, à 5ª feira)

“Local Works” pode-se traduzir por “Trabalhos locais”. Mas, para o caso, até acho melhor “O local resulta”.

“Local Works” é o nome de um site que, na sua página “About us”, refere tratar-se de «uma coligação de mais de 100 organizações nacionais com o objetivo de promover a utilização da radical e sensacional “Sustainable Communities Act”».

A “Sustainable Communities Act” é deveras radical e sensacional como documento, mas ainda mais pelo que este documento representa: é uma lei aprovada pelo parlamento inglês e equivalente à “Lei” portuguesa que possibilita aos cidadãos enviarem propostas ao governo sobre como este poderá ajudar a comunidade local a resolver um determinado problema*.

E de onde veio este meu interesse por sobre esta temática aparentemente tão longe do comum cidadão? Porque aquele site lançou há tempos uma notícia sobre as grandes superfícies. Essa praga dos nossos tempos (que me desculpem os amantes dos cartões, pontos e descontos).

Senão, vejamos o que eu li nesse artigo:

“ Por toda a Grã-Bretanha, a rua está em declínio. Os efeitos propagam-se através das nossas comunidades. Um fator importante para essa queda é o aumento incessante de grandes supermercados (…)”:

  • Os supermercados levam ao encerramento das lojas locais e retiram dinheiro das economias locais. (Acho que não preciso de desenvolver: quem não assiste hoje em dia à morte do comércio local?).
  • A existência de supermercados provoca uma diminuição de empregos nas comunidades locais. (Não vou desenvolver, por arrasto do que disse no item anterior).
  • Os supermercados prejudicam o ambiente (neste ponto deixo uma janela para um artigo a publicar em breve sobre o movimento “Fruta Feia”, que combate o desperdício alimentar).
  • Os supermercados prejudicam-nos (em inglês, soa mais agressivo – “rip you off” – que quer dizer, à letra, “dilaceram-nos” ou mesmo “roubam-nos”. Mas ainda não tenho coragem de escrever isto desta maneira).

E estes senhores estão a lançar uma campanha para obter autorização para aplicar uma taxa local ao comércio efetuado nas grandes superfícies.

Eu, por mim, cada vez compro mais local. Sinto-me melhor comigo própria.

* Em nota de rodapé, a mesma página “About us” refere que a “Sustainable Communities Act” se aplica apenas em Inglaterra… Pois. Em Portugal, segundo me informaram, o mais semelhante a isto é a Lei nº 17/2003 de 4 de junho, que veio regulamentar o direito de iniciativa legislativa previsto no artigo 167.º da Constituição e que permite que grupos de cidadãos eleitores possam apresentar projetos de lei e participar no procedimento legislativo a que derem origem. Estes projetos de lei devem ser subscritos por um mínimo de 35.000 cidadãos eleitores…” E, a nível local, as comissões de moradores podem fazer petições às autarquias (sobre assuntos administrativos que lhes digam respeito direito) e participar nas assembleias de freguesia, sem ter contudo direito a voto.

Os meus sinceros agradecimentos ao Alexandre Rodrigues (um português em “terras de sua majestade” 🙂 ) e ao Luís de Portalegre em Transição e à Isabel de Cascais em Transição pela inestimável ajuda a perceber alguns meandros relativos à legislação em Inglaterra e em Portugal, respetivamente.

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