acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Novembro, 2013

O valor da vida

“If you do not change direction, you may end up where you are heading”. *

Lao Tzu

* “Se não mudares a tua direção, podes acabar por ir ter ao local para onde te diriges agora”

Tradução um pouco estranha, mas que traduz o sentimento de que não adianta dizer que não queremos ir para ali, porque é para lá que nos dirigimos… se não alterarmos o nosso rumo.

(recomendo ver o vídeo em ecrã total, porque aqui fica muito pequenino)

 

Empreendedorismo feio?

FrutaFeia

Este artigo vem na continuação de um artigo meu anterior dedicado ao empreendedorismo. E após ter lido um artigo da página “Café Portugal” com o título “Mértola – «Precisamos de empreendedores que produzam mais», alerta associação local“.

Aqui podem-se ler as seguintes frases:

“O Estado tem de facilitar o trabalho dos produtores. E isso passa pela forma como muitas das regras têm de ser feitas. Tem que haver uma maior sensibilização (…)”
“E é preciso que o Estado perceba que é (nos) produtos endógenos que pode estar a resiliência destes territórios e de muitas famílias e não tanto as questões dos grandes empreendimentos, que são, muitas vezes, mais prioritárias.”
“O que estamos a fazer com os cogumelos fizeram os italianos há 20 anos.”

É um artigo interessante, que nos chama a atenção para as dificuldades reais que existem no nosso país para fazer as coisas andar. Mas não nos podemos deixar deitar abaixo. E também sou da opinião que não podemos estar sempre à espera da ajuda do Estado… Mas o associativismo é uma cultura que não é bem aproveitada em Portugal. Felizmente há quem aproveite outras sinergias para fazer andar as coisas.

E aqui entra o projeto “Fruta Feia“, que citei a propósito do comércio local neste artigo, e que é uma das gotas da corrente que se começa a movimentar contra o oceano das regras ditadas pelo grande (e sufocante) comércio global.

São 4 jovens que ainda lutam para que o seu projeto não se deixe arrastar pelas dificuldades iniciais (nomeadamente financeiras), mas que arrancou hoje ao público em Lisboa (Casa do Independente, Largo do Intendente, 45, 1º). Pelo testemunho nas notícias da rádio de hoje, são já 120 associados nesta Cooperativa de Consumo e têm uma lista de espera de 25 pessoas. Cabazes constituídos por fruta e legumes fora dos padrões considerados “adequados” para venda (e que o consumidor, em geral, exige) e  que permitem um escoamento de uma parte do desperdício alimentar causado por estas imposições dos grandes canais de distribuição.

É um projeto muito no início e que ainda vai precisando de financiamento para se consolidar (pode-se participar aqui). Mas é um projeto encorajador 🙂

Pastagens Semeadas Biodiversas

PastagensBiodiversas

Estive num curso de Agricultura Biológica da Agrobio que me abriu novos horizontes práticos sobre como aplicar alguns conceitos que podem melhorar quer o meio ambiente que depende diretamente de mim, quer os alimentos que consigo produzir e que acabam na minha mesa :).

E uma das coisas que lá se aprendeu é que, na base da Agricultura Biológica está, entre outras coisas, a preservação e melhoria do solo. Uma das medidas de preservação está relacionada com a prevenção da erosão da camada superficial, onde se concentra a grande maioria da biodiversidade que é fundamental para o ciclo da vida. E um dos métodos é a utilização de coberturas vegetais, em vez do tradicional “solo nú” entre as culturas.

E aqui entra o artigo de hoje: “Pastagens Semeadas Biodiversas” é o nome do projeto que venceu um concurso que faz parte da campanha de sensibilização pública da Comissão Europeia “Um mundo que me agrada com um clima de que gosto”, que promove soluções para as alterações climáticas.

Segundo a notícia do Público, o concurso visava recolher ideias criativas de toda a Europa sobre projetos de inovação com baixo teor de emissões de carbono, tendo sido apresentados 269 projetos.

A cerimónia de entrega dos prémios decorreu em Copenhaga (Dinamarca), e o prémio distingue um projeto promovido pela Terraprima, empresa de serviços ambientais portuguesa, que envolve mais de 1000 agricultores portugueses. O cerne do projeto esteve na medição da emissão de carbono feita pelas pastagens biodiversas, formadas por 20 variedades diferentes de plantas. Este projeto prova que, além de capturarem mais carbono, estas pastagens enriquecem o solo de matéria orgânica, protegem contra a seca e são mais nutritivas para os animais que se alimentam delas, evitando que os agricultores tenham de comprar mais alimento, que normalmente é produzido de uma forma intensiva. Estas pastagens, que se adaptam ao tipo de solo onde são plantadas, crescem em 50.000 hectares de terreno português, principalmente no Alentejo, onde as pastagens estão associadas ao regime de montado.