acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Junho, 2015

A face e o reverso

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Lá diz o ditado: “Nem tudo o que luz é ouro”. Do mesmo modo, nem tudo o que nos parece opaco é mau.

Tem corrido por aí uma notícia que diz que a ministra francesa sugere que o mundo pare de comer Nutella. Por causa da utilização de óleo de palma, um consumo que se está a tornar excessivo, sendo uma das causas associadas à destruição da floresta tropical.

Mas este consumo verifica-se em dezenas de outras utilizações mais (“desde as batatas fritas ao biodiesel, passando por pastas de dentes e cremes para a pele”), e, segundo o que esclarece este artigo da Green Peace, o fabricante da Nutella (Ferrero) é uma entidade bastante ativa na procura de soluções alternativas ao produto e no apoio a entidades que trabalham para a proteção da floresta tropical e de quem vive dela (Palm Oil Innovation Group).

Aqui gostaria de sublinhar uma das regras que subentendo na filosofia do “acrescimento”: quando nos apercebemos que algo está mal, a solução não é cortar o mal pela raiz sem olhar a como, mas sim perceber onde podemos melhorar e fazer uma transição consistente e duradoura.

E mais: “(…) em suma, não se trata de culpabilizar os consumidores para os converter à ascese, mas de os responsabilizar como cidadãos.” (em reduzir significa regredir?). Alertar consciências, mas com conta, peso e medida. E bom senso.

NOTA: a ministra francesa, entretanto, retratou-se.
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Fazemos um desenho?

Como diz o artigo onde vi o desenho animado Comida que alimenta, “Apesar de ter uma linguagem acessível às crianças, o vídeo também é voltado para todos os públicos, um humor inteligente e informações que são importantes.”

É uma conversa entre uma criança e um agricultor “agroecológico” (que me parece, se não estou em erro, que é um termo que no Brasil se utiliza para a agricultura biológica), que chama a atenção também para as problemáticas relacionadas com o comércio justo e a importância da escala local.

Fica o vídeo:

A resiliência: par-a-par.

Resiliencia

Peer-to-peer é uma expressão que, para além do significado informático, tem um significado que se relaciona com as temáticas que vou abordando. Segundo www.infopedia.pt, “diz-se do que é realizado diretamente, sem intermediários, entre duas pessoas ou entidades“.

Esta expressão apareceu-me num artigo que li a propósito da transição do presente sistema económico para um “sistema de produção que sirva de alternativa ao capitalismo industrial“.

O entrevistado, Michel Bauwens (ver a página da P2P Foundation aqui) refere, em resposta a uma pergunta que indaga acerca da velocidade com que a transição se está a fazer, algo que me parece muitíssimo adequado à ânsia com que todos vivemos hoje em dia.

Diz ele que é um assunto que se deve “…apressar lentamente. É claro que a transição para uma economia sustentável pós-capitalista, não vai acontecer da noite para o dia, nem mesmo em alguns anos. É um processo longo. (…) pode dar uma impressão de uma relativa estagnação, mas eu não me preocupo muito. Porque esta é uma grande crise, ecológica, social e económica, iminente no horizonte. O desafio é estar pronto quando ela irromper, provavelmente por volta de 2030. “

Os projetos em estudo, instalados em base peer-to-peer, diz, são”…ainda pequenos e, sim, muito poucos. Nos próximos anos, aqueles que ainda são apenas as sementes desta transição terão que desenvolver um ecossistema estável, a fim de iniciar um movimento real.”

E é isto. Semear de forma consistente, saber esperar e, acima de tudo, não desistir 🙂