acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Julho, 2015

Um oásis no deserto

Projeto Ron Finley: com as suas raízes na zona centro-sul de Los Angeles (EUA), poderei chamar-lhe um oásis no deserto urbano.

RonFinley

Este senhor tem vindo a criar pequenos oásis, que têm plantas (comestíveis), mas que, bem analisadas as coisas, vai muito para além disso: ele cria pequenos núcleos de esperança em áreas ditas problemáticas. E são assim apelidadas por um sem número de razões, entre as quais reinam os índices de criminalidade.

Mas esta classificação de “problema” devia ter à cabeça outras questões, que me parecem mais perto da origem destes índices politicamente corretos: uma delas é a esterilidade alimentar com que se deparam estas pessoas.

E é aqui que o projeto de Ron entra: criação de pequenas células com tendência para alargarem, que não só alimentam o corpo, mas que dão alento à alma. Do que já li, tenho fé que seja um projeto com características parecidas com os vírus, mas que espalhe algo de bom.

Fica aqui a ligação para um vídeo promocional ao projeto, na página do L.A.Times: “Can you dig this“.

A (nova) agricultura

NovosAgricultores_TVI24

Programa “A caminho das legislativas”, na TVI 24 de 25 de junho passado.

Destaco a participação de Alfredo Sendim, agricultor há 25 anos, empresário da agricultura biológica na Herdade do Freixo.

Diz ele que “…nós devemos ter a capacidade de perceber que há muito mais para além da competitividade (como é vista neste momento) e das exportações (…) um agricultor (…) hoje e sempre, quer queira quer não queira, gere, se quiser fazê-lo de uma forma responsável, um conjunto enorme de variáveis, onde passam questões como o emprego, como a saúde das populações, como a gestão dos solos (…), da água, da biodiversidade, das emissões de carbono, enfim, uma panóplia muito grande de coisas que hoje, em grande medida, não estão bem equacionadas no nosso modelo económico.”

“De facto, hoje, conseguirmos seguir um modelo agrícola e florestal que seja compatível com o nosso planeta, com a sua realidade, não é fácil, em termos económicos, mas é possível. (…) Devemos construir uma agricultura que beneficie os agricultores, obviamente, porque senão não temos estes agentes económicos, mas que essencialmente beneficie o país e beneficie os cidadãos todos desse país. E estamos longe de o conseguir.”.

A opinião de Francisco Avillez, professor de economia e política agrícola, converge nesta conclusão, e ele refere 3 pontos em que temos necessariamente de agir se queremos conseguir melhorar esta vertente económica em Portugal:

  • a organização dos agricultores (é um facto que, em termos associativos e de comunidade, Portugal deixa muito a desejar);
  • aquisição de conhecimento e sua transferência (aqui abstenho-me de me alongar);
  • sermos mais seletivos nos apoios públicos na agricultura (e gostei quando ele diz que os apoios e os incentivos são para isso mesmo: apoiar e incentivar. Não devem ser considerados como meros “subsídios”).

Deixo o link para o programa na íntegra (cerca de 39 min) aqui.