acrescimento

ou a sabedoria do caracol

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(re)localização é solução

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«Tanto o fenómeno “Trump” como o fenómeno “Brexit” podem ser explicados pelo fracasso das principais elites políticas para lidar com a dor infligida ao cidadão comum na era neoliberal, escrevem Helena Norberg-Hodge e Rupert Read. Nos EUA e no Reino Unido, os eleitores da classe trabalhadora rejeitaram com razão a globalização corporativa que criou tanta pobreza e insegurança. Mas as verdadeiras soluções não residem no ódio, e sim na relocalização.»

Esta é uma tradução da nota introdutória de um artigo longo, mas muito interessante.

A minha própria tradução/conclusão: estes fenómenos são um grito de alerta – em vez de criticarmos ou tentarmos esmiuçar de quem é a culpa de tudo, é pôr mãos à obra. Mas com a consciência que a solução/resposta a esta “reação visceral” vai dar trabalho e não vai ser “confortável”.

Depende de todos nós…

(Para ler o artigo ou consultar a fonte desta informação, clicar na imagem)

Rendimento básico – uma utopia?

“Fazer com que haja pelo menos algum rendimento incondicional, em valor suficiente para satisfazer as necessidades básicas, é uma mudança de proporções épicas. O rendimento básico é muito mais do que apenas um instrumento para aumentar a liberdade e reduzir tanto a pobreza como a desigualdade. É muito mais do que apenas uma ideia de diminuir o número de governantes ou de aumentar o empreendedorismo, ou de permitir que apareçam novos Einsteins, ou valorizar o trabalho não remunerado, ou melhorar os resultados na área da saúde, ou de reduzir as taxas de criminalidade ou de transformar o desemprego tecnológico de um medo para um objetivo. É tudo isso, mas também é mais. Há algo mais fundamental sobre o rendimento básico.

(…)

Se não tem nada parecido com um rendimento básico [seja uma pensão, uma renda proveniente de uma herança ou de uma lotaria ou um subsídio], considere por um momento como a sua vida iria mudar se tivesse um. O que faria se tivesse um rendimento básico? Que novas escolhas faria? Pense nisso. É uma pergunta que todos nós precisamos começar a fazer uns aos outros.” *

Para refletir…

*(Tradução livre de um excerto de What if you got $1,000 a month, just for being alive? I decided to find out., de Scott Santens)

Desperdício zero

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Bea Johnson

Após mais um longo interregno, deixo hoje o testemunho de alguém que pratica algo que faz todo o sentido.

Considero um exemplo a seguir – talvez ainda não tenha encontrado a força de vontade suficiente para chegar tão longe… mas para lá quero caminhar 🙂

Cliquem na imagem para ler a entrevista ou acedam aqui:

http://observador.pt/especiais/uma-vida-de-consumo-e-uma-perda-de-tempo/

A face e o reverso

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Lá diz o ditado: “Nem tudo o que luz é ouro”. Do mesmo modo, nem tudo o que nos parece opaco é mau.

Tem corrido por aí uma notícia que diz que a ministra francesa sugere que o mundo pare de comer Nutella. Por causa da utilização de óleo de palma, um consumo que se está a tornar excessivo, sendo uma das causas associadas à destruição da floresta tropical.

Mas este consumo verifica-se em dezenas de outras utilizações mais (“desde as batatas fritas ao biodiesel, passando por pastas de dentes e cremes para a pele”), e, segundo o que esclarece este artigo da Green Peace, o fabricante da Nutella (Ferrero) é uma entidade bastante ativa na procura de soluções alternativas ao produto e no apoio a entidades que trabalham para a proteção da floresta tropical e de quem vive dela (Palm Oil Innovation Group).

Aqui gostaria de sublinhar uma das regras que subentendo na filosofia do “acrescimento”: quando nos apercebemos que algo está mal, a solução não é cortar o mal pela raiz sem olhar a como, mas sim perceber onde podemos melhorar e fazer uma transição consistente e duradoura.

E mais: “(…) em suma, não se trata de culpabilizar os consumidores para os converter à ascese, mas de os responsabilizar como cidadãos.” (em reduzir significa regredir?). Alertar consciências, mas com conta, peso e medida. E bom senso.

NOTA: a ministra francesa, entretanto, retratou-se.

A resiliência: par-a-par.

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Peer-to-peer é uma expressão que, para além do significado informático, tem um significado que se relaciona com as temáticas que vou abordando. Segundo www.infopedia.pt, “diz-se do que é realizado diretamente, sem intermediários, entre duas pessoas ou entidades“.

Esta expressão apareceu-me num artigo que li a propósito da transição do presente sistema económico para um “sistema de produção que sirva de alternativa ao capitalismo industrial“.

O entrevistado, Michel Bauwens (ver a página da P2P Foundation aqui) refere, em resposta a uma pergunta que indaga acerca da velocidade com que a transição se está a fazer, algo que me parece muitíssimo adequado à ânsia com que todos vivemos hoje em dia.

Diz ele que é um assunto que se deve “…apressar lentamente. É claro que a transição para uma economia sustentável pós-capitalista, não vai acontecer da noite para o dia, nem mesmo em alguns anos. É um processo longo. (…) pode dar uma impressão de uma relativa estagnação, mas eu não me preocupo muito. Porque esta é uma grande crise, ecológica, social e económica, iminente no horizonte. O desafio é estar pronto quando ela irromper, provavelmente por volta de 2030. “

Os projetos em estudo, instalados em base peer-to-peer, diz, são”…ainda pequenos e, sim, muito poucos. Nos próximos anos, aqueles que ainda são apenas as sementes desta transição terão que desenvolver um ecossistema estável, a fim de iniciar um movimento real.”

E é isto. Semear de forma consistente, saber esperar e, acima de tudo, não desistir 🙂

 

 

Ano Internacional dos Solos

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Não é à toa que a infografia que a FAO (Food and Agriculture Organization, das Nações Unidas) publica na sua página (aqui) começa com a frase “95% dos nossos alimentos provêm do solo”.

Mas “Solos saudáveis não são apenas a base para os alimentos, combustíveis, fibras e produtos médicos, mas são igualmente essenciais para os nossos ecossistemas, desempenhando um papel fundamental no ciclo do carbono, armazenamento e filtragem da água, e na melhoria da sua capacidade de resistência a inundações e secas.”

Estas são palavras do diretor geral da FAO nesse artigo, que anuncia o início oficial do Ano Internacional dos Solos.

Mais do que eventos para a humanidade se entreter com algo, é um tema muito sério, ao qual raramente vejo referências relevantes nos media de hoje. E, certamente, algo para cada um de nós combater com os meios que tem à disposição: como em tudo, grão a grão enche a galinha o papo ou, neste caso, partícula a partícula se recuperam os solos à escala global.

“O Gorgulho” em alta

A minha revista de eleição, nos dias que correm: “O Gorgulho” 😉

Falei dela num dos meus últimos artigos (aqui).

Excelente trabalho de uma das associações portuguesas que mais prezo, a Colher para Semear (da qual falei aqui), agora com um rasgado elogio (na minha opinião, bem merecido), tecido pelo MEC neste artigo do Público.

“Juntemo-nos a eles!”

MEC