acrescimento

ou a sabedoria do caracol

Arquivo de Livros&Revistas

Desperdício zero

BeaJohnson

Bea Johnson

Após mais um longo interregno, deixo hoje o testemunho de alguém que pratica algo que faz todo o sentido.

Considero um exemplo a seguir – talvez ainda não tenha encontrado a força de vontade suficiente para chegar tão longe… mas para lá quero caminhar 🙂

Cliquem na imagem para ler a entrevista ou acedam aqui:

http://observador.pt/especiais/uma-vida-de-consumo-e-uma-perda-de-tempo/

Localmente em grande

NovosSabores_NL

Li este artigo na Revista Distribuição Hoje, novembro 2014.

Apesar de algumas expressões com que não concordo, das quais a mais flagrante é logo no início (“… onde a gestão de recursos, por vezes limitados…”), é mais uma janela para o “pensar global, agir local”.

Pena que não seja em Portugal. Pena que o jornalista tenha viajado “a convite da Embaixada dos Países Baixos” e não tenha sido um artigo feito cá dentro, a viajar de autocarro por terras lusas.

Enfim, já não é mau saber-se que há gente a pensar em grande à escala local.

“O Gorgulho” em alta

A minha revista de eleição, nos dias que correm: “O Gorgulho” 😉

Falei dela num dos meus últimos artigos (aqui).

Excelente trabalho de uma das associações portuguesas que mais prezo, a Colher para Semear (da qual falei aqui), agora com um rasgado elogio (na minha opinião, bem merecido), tecido pelo MEC neste artigo do Público.

“Juntemo-nos a eles!”

MEC

O social e o sustentável em dois guias

Social

UM

UnLtd é uma entidade britânica que disponibiliza uma rede de apoio (a maior do mundo, segundo o site deles) a empreendedores sociais no Reino Unido.

Publicaram recentemente um guia on-line, de acesso gratuito aqui: “Mudando o Mundo: Um Guia para Iniciados no Empreendedorismo Social é o culminar do que temos aprendido ao longo dos últimos anos, trabalhando de perto com jovens empreendedores sociais e é uma ferramenta para partilhar as histórias, desafios e perspetivas de jovens que tiveram uma ideia e foram para a frente com ela. O objetivo deste guia é partilhar o que aprendemos na esperança que sirva de apoio aos jovens do futuro que tenham ideias para fazer do seu mundo um mundo melhor.”

Notícia aqui.

* * *

Sustentavel

DOIS

A BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável é uma entidade portuguesa, membro da rede regional do WBCSD – World Business Council for Sustainable Development, “a maior organização empresarial internacional a trabalhar na área do desenvolvimento sustentável”, e foi instituída em 1992 no âmbito da Cimeira do Rio 92.

Publicaram também eles um guia on-line, de acesso gratuito aqui, denominado Guia para Eventos Sustentáveis, “uma publicação (…) para esclarecer as dúvidas de organizadores, promotores e patrocinadores. (…) aplicável a (…) eventos desportivos, musicais, culturais, reuniões, congressos, festivais ou exposições.”

Notícia aqui.

Mais palha?

AduboVerde&Faveiras

Há pouco tempo vi uma ligação na internet que disponibilizava dez documentários sobre a alimentação.

Uns mais “pesados” que outros, mas genericamente densos. Deixo a tarefa de divulgação destes documentos audiovisuais para outras esferas. Mas ficou-me uma frase que sintetiza a ideia que tiro da problemática da alimentação dos dias de hoje, na nossa sociedade: pessoas super-alimentadas mas subnutridas. Isto é, calorias a mais para falta (por vezes grave) de nutrientes essenciais.

E aqui entram algumas citações do livrinho que revelei no meu último artigo, de Masanobu Fukuoka (A revolução de uma palha):

“Se viermos a defrontar-nos com uma crise alimentar, ela não será devida à insuficiência do poder produtivo da Natureza, mas sim à extravagância do ser humano.”

“Há quarenta anos atrás, a palavra de ordem era cultivar trigo, cultivar um cereal estrangeiro, uma colheita inútil e impossível. Depois vieram dizer que o valor nutritivo das variedades de centeio e de cevada japoneses não era tão elevado como o dos cereais americanos, e relutantemente os camponeses abandonaram o cultivo destes cereais tradicionais. Com o nível de vida a aumentar de forma constante, a palavra de ordem foi “comer carne, comer ovos, beber leite e passar do arroz ao pão”. Milho, soja e trigo foram importados em quantidades cada vez maiores. Como o trigo americano era barato, o cultivo do centeio e da cevada indígenas foi abandonado. A agricultura japonesa adoptou medidas que forçaram os camponeses a arranjar trabalho a tempo parcial na cidade, para poderem comprar as colheitas que lhes tinham ordenado que não cultivassem.
E agora surgiu uma nova preocupação com a falta de recursos alimentares. Volta a falar-se de auto-suficiência para a produção do centeio e da cevada. Diz-se mesmo que haverá subsídios (…)”

“(…) as pessoas que se limitam a fazer uma alimentação simples e baseada em produtos locais não precisam de trabalhar tanto e utilizam menos terra do que as que têm um apetite de luxo”.

“Quem é estúpido?”

FukuokaSan_Capa“Partindo do princípio de que curar a terra e purificar o espírito humano são a mesma coisa, A Revolução de Uma Palha tem por objectivo mudar as nossas atitudes para com a Natureza, a agricultura, a alimentação e a saúde física e espiritual”.

Esta é a conclusão que aparece na contracapa do livro que, ao mesmo tempo, resume a obra escrita em 1975 por Masanobu Fukuoka, nascido no Japão em 1913 e considerado hoje em dia “um dos pioneiros da agricultura sustentável”.

Não é um livro fácil. Desde logo, pelo modo como é escrito – nas “Notas de Tradução”, está referido o desafio que constituiu a edição desta obra no ocidente, não só pelas subtilezas da língua japonesa, mas também, e talvez principalmente, pelas dificuldades em expressar toda a experiência pessoal e o percurso interior que o autor pretende transmitir, sem atropelar as subtilezas do contexto cultural próprio da obra original.

Centra-se no tema da agricultura mas, intencionalmente, espraia-se por diversos outros assuntos de um modo aparentemente desorganizado e pouco habitual para o comum dos leitores no ocidente (ver índice aqui).

“Se não fizéssemos absolutamente nada, o mundo não poderia continuar a girar. O que seria do mundo sem desenvolvimento?”
“Que necessidade existe em desenvolver? Se o crescimento económico subir de 5% para 10%, a felicidade duplica? Que mal há numa taxa de crescimento de 0%? Não é um tipo de economia assaz estável? Poderá haver algo melhor do que viver simplesmente e sem complicações?” *

Este revelou-se um livro surpreendente e desafiante, cuja descoberta não termina na primeira leitura. Por isto regressarei a ele.

* – Citação do subcapítulo que dá nome a este artigo – “Quem é estúpido?”, pág. 152.

FukuokaSan_Traducao